E ela amou por muito, muito tempo, o mesmo garoto. Dedicou quase toda a sua a juventude à ele. Toda noite, todos os dias, seus pensamentos eram dele.
Amor de menina, coisa de adolescente, mas são esses amores que transformam meninas em mulheres.
Após tudo acabar, depois dele jogar fora tudo o que ela sentia por ele, ela nunca mais foi a mesma, mas ela nao deixou de amar, afinal, amor não se escolhe, porém passou a dedicar mais tempo a si mesma.
Descobriu que nenhum homem dá valor a mulheres dependentes. Ela havia se tornado independente. Não socialmente, pois ainda dependia dos pais. Mas sim, independente emocionalmente. Não que ela nao sentisse falta dele a cada instante que se passava, mas ela estava aprendendo a controlar seus impulsos, até porque não havia outro jeito. Ele se fora.
Ela entao, mesmo com esses pensamentos, mais fracos, porém persistentes, resolveu se atirar na vida. Conheceu novas pessoas, vestiu novos vestidos, novos saltos, se tornou uma mulher desde o primeiro fio de cabelo até suas unhas vermelha dos dedos dos pés.
Em cima de saltos cada vez mais altos passou a olhar a vida de cima. E do alto enxergou que muitos outros a desejavam. Por um momento até perdeu o sentido, já que a dor que carregava no coração era forte demais pra fazê-la normal. Ela estava aprendendo a lidar com a vida, estava aprendendo a lidar com sua dor… Com seu sentimento.
Porém, a essência nunca muda, não é? Por mais que ela tivesse crescido, aprendido a andar em cima de um salto, ela sempre foi aquela sonhadora e romântica, que por conta da vida, estava se perdendo. A cada festa, uma solidão na volta. A cada encontro, uma lembrança do passado.
Ela então percebeu o quanto havia deixado de ser ela mesma por causa das peças que a vida a pregou. A alegria que sentia era momentânea, fútil, logo ia embora e voltavam todos os seus sentimentos à tona. Decidiu entao voltar a ser como antes pois a essência nunca muda, e por mais que ela tentasse lutar contra, ela não seria feliz sendo quem ela não era. Surgiu dentro de si mesma uma vontade de seguir em frente, não mais fugir da tristeza que a acompanhava.
E então ela resolveu deixar o que havia passado para trás, e seguir adiante, afinal, era o único caminho a ser seguido.
Mas ela havia mudado uma coisa: De uma boa menina, aprendeu com a vida, mudou o necessário, e se tornou uma boa mulher.
-Heloisa Dantas